A obra de arte "Retirantes", do pintor Portinari, não é um retrato do Brasil de 1944, somente. Hoje, olhando para a imagem, vejo retirantes nordestinos fugindo da seca e da exploração da mão de obra em busca de uma condição de vida - de fato - humana, mas vejo também os habitantes do Pinheiro e de outras ocupações urbanas pelo Brasil. Sem casa, sem rumo.
Interessante o momento em que isso - os ataques- veio a acontecer. Pouco tempo após o lançamento do filme "Tropa de Elite II" que acabou expondo o que acontece no Rio de Janeiro: O BOPE, as UPP's, as milícias e o tráfico em conflito. Óbvio que cedo ou tarde isso iria explodir, já que a segurança pública não tem a atenção que merece nas bandas fluminense. O governo acha - ou finge não saber- que o problema não está nos morros. É resultado do não controle de entrada de armamento no Rio, assim como apontou Marcelo Freixo que a Baía de Guanabara é a porta de entrada de armas de guerra. É o descaso com a situação das pessoas que vivem nos morros, com a educação pública e com a saúde. Não são problemas específicos do Rio, mas não se compara a gravidade. Enquanto os moradores dos locais onde há presença do tráfico estão presos em suas casas tentando preservar sua vida, a vida dos que moram em Copacabana, Ipanema, segue com normalidade e sob segurança do governo carioca.
Uma entrevista dodeputado Marcelo Freixo do PSOL para a "Carta Capital" sobre as milícias, UPP's e até sobre o "Tropa de Elite II", que eu achei interessante: Entrevista do Marcelo Freixo para a Carta Capital
Mais uma vez resolvi escrever por conta de uma música. Dessa vez foi uma chamada: "Reinvento", da Ceumar. Eu gostaria mesmo de poder reinventar as coisas, ou talvez inventar algo novo, mas parece que quase tudo acaba retomando as coisas que ficaram pra trás ou foram adiante sem você. É, justasmente, esse o incômodo. Por que não reinventar algo sem ter que se preocupar com aquilo "que o vento leva"? Se levou, é porque era leve. As coisas firmes (para não dizer: os laços firmes) não se desfazem com facilidade. Ficam. Ok, tudo isso é clichê, ou parece. É chato de ler e me sinto bobo em escrever - pode falar que é ridículo.
Só preciso mesmo descobrir como reinventar ou inventar as coisas. Estou precisando de coisa nova e (re)inventando talvez apareça algo novo. Uma nova viagem, pra um novo lugar ser conhecido; um assunto novo a ser discutido; um novo novelo pra se enroscar...
Hoje aconteceu uma coisa curiosa: eu estava pensando nas palavras " solitude" e "solidão", nas opções que fazemos. Havia escutado uma música com as duas palavras e, quando abri meu blog para dar uma olhada, começou a tocar "Dança da solidão " do Paulinho da Viola.
A solidão tem raíz no abandono, na desilusão. É o sentir-se só, mas sem querer estar. A solidão é desesperadora em seu extremo, embora seja grande fonte de inspiração dos poetas, músicos, malandros. Dessa eu fujo a passos largos.
A solitude é uma opção. Ela é o estar só maduro, de raíz firme e faz crescer. Eu ousaria chama-la de reflexão individual ou sossego. É o estar só e em paz.
Duas cartas na mão para escolher. O mais aventurado na vida e seguro de si fica com a solitude. Os que ainda querem aventurar-se e apostar na sorte, fica sujeito a solidão (ou não).
Não, eu não tenho o hábito de postar mais de uma vez por dia, visto que fiquei meses sem fazer isso. Vou escrever por ter visto algo que me incomodou.
Em um período de eleições cuja a próxima presidente do Brasil foi eleita por uma votação expressiva do norte e do nordeste do país, uma parte da elite das partes baixas do país (sul e sudeste) e, o pior, sua juventude cometeram algumas ações XENÓFOBAS (sim. Xenófoba. Pode desconhecer a palavra, mas isso existe no Brasil) para com os nordestinos e nortistas. Não estou em defesa da Dilma, pois acho que ele continuará com um projeto de governo que já conhecemos e muito menos em defesa do Serra, pois esse sim tem o caráter repressivo e preconceituoso, nós (estudantes do estado de São Paulo) sabemos bem. Aos que não sabem, xenofobia é o ato de preconceito, repressão, ódio, a culturas e regiões geográficas diferentes das pessoas que cometem tais crimes - SIM preconceito é crime.
O twitter foi utilizado por alguns tantos jovens do sul e do sudeste para "culpar" o povo nordestino pela eleição da Dilma com ofensas como: " burros", "analfabetos", "mortos de fome" e "dependentes das bolsas misérias". Como se o sul e o sudeste estivessem livre de pessoas pobres, que passam fome e o nordeste e o norte livres das elites e pessoas que exploram outras pessoas no dia-a-dia.
Eu não tenho vergonha ou pena das pessoas que cometem tais crimes. Tenho ódio mesmo. Lidamos com diversos tipos de preconceitos todos os dias, mas quando vemos vários casos de uma só vez, uma só forma de preconceito, num mesmo veículo de circulação de informação, é pra chorar.
Segue o vídeo que me apresentou esse acontecimento: